03 maio 2017

Depois fui Mãe

Na inocência da nossa juventude e antes de sabermos o que é dar à luz uma cria, educá-la e prepará-la para a vida observamos os comportamentos das crianças que nos rodeiam e afirmamos veemente, se fosse meu filho não fazia estas figuras, precisa é de umas palmadas, tem falta de educação, entre tantas outras coisas que dizemos sem saber o que nos espera.

Depois somos pais e como o peixe morre pela boca, lá estamos nós a lidar com as mesmas situações que criticamos no passado. 

Quando ia a restaurantes e via crianças agarradas a jogos, tablets e outras tecnologias achava uma tremenda estupidez porque acreditava que a refeição era um momento de descontração em família em que se partilham histórias e afetos e dar-lhes aqueles equipamentos quebrava toda a envolvência que heroicamente achava que ia conseguir com os meus filhos.
Depois fui mãe e sou a primeira a lembrar-me de carregar o Clementoni para que possamos comer na paz do Senhor enquanto eles estão entretidos. 

Quando ia a um supermercado ficava doente com as birras dos miúdos porque queriam um brinquedo, ou tinham fome, trepavam prateleiras, ou os pais não os deixavam empurrar o cesto das compras. Pensava que eram mimados, mal educados e que filho meu nunca faria tais espetáculos. 
Depois fui mãe e evito ao máximo expor os meus índios a sítios comerciais porque sei que vão acontecer birras estridentes, um quer gomas, outro pão, um tem xixi, outro espirrou e há verdume por todo o lado. Não querem ir dentro do carrinho, um foge para a seção de legumes e quando o encontro já está a roer uma maçã, outro rebentou 1 kg de açúcar, é um filme de terror. 

Quando recebia amigos com filhos achava incrível como gritavam, saltavam nos sofás, pediam comida, davam puns propositadamente, que mal educados grunhia mentalmente. 
Depois fui mãe e nunca mais me convidaram para almoços e jantares caseiros.

Nunca digas desta água não beberei. Os miúdos são iguais em todo o mundo, fazem birras, espirram ranho muito verde, transformam-se em pequenos tarzans na casa dos outros, arremessam comida nos restaurantes, fazem chinfrim na praia, sujam-se 3 minutos após vestirem a roupa de lavado, gritam, e batem nos irmãos. 

São crianças a serem crianças.
Por mais regras e boa educação que lhes transmitimos eles adoram infringir, testar, levar aos limites. 

São assim e nós amamo-los.



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1 comentário:

diz o que te vai na alma, mas sê boa pessoa, a gerência agradece!

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